quarta-feira, 11 de julho de 2012

Acto de contrição


Pela luz rara da garagem dois vultos
vão pôr o lixo. São velhos desconhecidos. Um
ao outro dão passagem (a
máscara de um cumprimento) esquivos na
escatológica arqueologia das misérias.
Homens de lixo na mão: exímios
a ocultar
versos da vida doméstica (quando
o gesto liso cabe ao avental abundante que
os devolve a casa). Há
em todo esse agravo uma redenção ferida
(um juízo resolvido) como
que
um indulto lento.



João Luis Barreto Guimarães


http://joaoluisbarretoguimaraes.blogspot.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário